segunda-feira, março 31, 2008

Ambiente, do Monte Grande ao São Gião no Zambujal

Ambiente
Carlos Rebola 27 de outubro de 2007 21:10
Para: gap
Zambujal, 27 de Outubro de 2007

Ex.mo Senhor
Presidente da Câmara Municipal de Cantanhede

Congratulo-me em verificar na comunicação social, que a CMC vai tratar do problema ambiental existente na antiga saibreira da Pocariça, com já fez e bem em Murtede.
No entanto Senhor Presidente fico bastante apreensivo, sobre o processo que leva a CMC a comprometer-se com a resolução destes problemas locais, porque apesar dos problemas serem denunciados legitimamente, a CMC não actua. Para que a CMC actue de facto é necessário que os problemas sejam publicitados na comunicação social ou através de queixas à GNR (SEPNA). Depois vem a EM INOVA, dizer, que vai indagar, donde vêm os resíduos perigosos de pavimento (alcatrão, betuminosas) e outros, para responsabilizar os infractores, é bom que assim seja. Mas, não é pratica comum, os particulares pavimentarem com estes produtos as suas propriedades, devem ser responsabilizados os donos das obras que originam estes resíduos perigosos, depois sim responsabilizar exemplarmente quem não cumpre o "Regulamento Municipal do Ambiente", "doa a quem doer".

As acções conducentes à solução destes problemas ambientais (quiçá sem importância global, poderão pensar) vem ao encontro duma solidariedade, que se deseja, para com as gerações vindouras às quais devemos deixar um bom legado ambiental. A reparação destes males, vai ao encontro do recomendado na Agenda 21 resultante da ECO 92 no Rio de Janeiro (a qual Portugal subscreveu) e que diz que os problemas ambientais devem ser corrigidos localmente com recomendado é preciso "pensar globalmente, planear regionalmente e agir localmente", pois, grandes problemas ambientais na maioria dos casos resultam do acumular de pequenos problemas locais não resolvidos. O cumprimento da Agenda 21 passa, pela resolução de facto destes "pequenos" problemas locais. Sem isto não é correcto dizermos que cumprimos as recomendações da Agenda 21 ou duma "Agenda 21 local".

Pois bem, Senhor Presidente, tenho vindo a alertar e a pedir acção a vossa Ex.ª, para o facto de no Zambujal terem sido depositadas muitas toneladas de alcatrão, ou se quiser, produtos betuminosos de pavimento, numa extensa área que vai do Monte Grande ao São Gião junto da "estrada real", estes resíduos resultaram das obras para o saneamento de Zambujal e Fornos. Estes resíduos perigosos estão na bacia do aquífero, que alimenta a exsurgência dos Olhos da Fervença, que nos dá este "ouro cristalino" que é desejável continue a ser puro e cristalino. A ser contaminado um aquífero demora centenas de anos a recuperar, mais uma vez precisamos ser solidários com as gerações futuras. É preciso no meu entender, limpar aquela área que nem sequer é propriedade de particulares, sob pena de estarmos a contribuir para a destruição consciente dum legado com muito valor (incalculável) em várias áreas, hoje e ainda mais no futuro.

Pergunto-me e o Senhor Presidente também deveria perguntar-se, porque, é que, só após conhecimento publico através da comunicação social há acção da CMC nestes casos ambientais? No caso da Pocariça numa das vigilâncias, em 9 de Setembro, que fiz como voluntário acompanhado do Diogo, fizemos um relatório da situação da saibreira (enviado em anexo), porque não houve antecipação da CMC ao SEPNA na tomada das decisões, agora tomadas? Será sempre necessária a denuncia na comunicação social ou ao SPNA da GNR para que a CMC actue? Sinceramente parece-me, que os serviços e "empresa municipal" da CMC em termos de actuação na resolução de questões ambientais, estão desfasados das expectativas e do que é publicitado.

O importante é que os resíduos perigosos provenientes duma obra publica outros lixos, sejam removidos para tratamento conveniente e que a área (mais de 50 mil metros quadrados) seja protegida, no sentido de evitar desmandos semelhantes deixando que a natureza continue a tratar dos "afloramentos", como tão bem tem feito, ao longo de milhões de anos entre o Monte Grande e Gião junto à "Estrada Real".

No seu papel meritório e com excelentes resultados, no implemento de boas práticas, resultantes da auto avaliação interactiva, o projecto "CAF" ainda tem muito trabalho a fazer junto dos funcionários da EM-INOVA na área das boas práticas ambientais.
Quanto às populações sugiro que sejam concretizadas acções de sensibilização e consciencialização dos munícipes "in loco" e presenciais, a população do Zambujal,
necessita destas acções.

Por último Senhor Presidente, compreendo que nunca tenha recebido qualquer resposta ou informação sobre as minhas comunicações à CMC sobre transgressões ambientais, parece-me que quando as coisas são incómodas, é melhor e mais cómodo, numa perspectiva política deixar estar as coisas como estão sem que haja qualquer comprometimento. Por isso não espero qualquer "feedback" a este E-mail, á semelhança do que tem acontecido com todas as minhas comunicações anteriores, todas elas feitas no sentido de dar a minha colaboração como cidadão e munícipe que pensei, fosse desejável. O sentido do que pensei começa a modificar-se. Gostaria Senhor Presidente que a par das muitas coisas boas que têm sido concretizadas pelo nosso município e que são o nosso orgulho, também estas "pequenas" coisas do ambiente fossem tratadas, para que a nossa herança e que vamos deixar aos vindouros, seja limpa de qualquer espécie lixo. Não faz sentido conspurcar a "casa de todos" com o lixo das nossas próprias casas, é como "varrer para debaixo do tapete" a uma escala diferente, obviamente.


Com os meus melhores cumprimentos
Carlos Rebola

1 comentário:

RAMOSFOREST.ENVIRONMENT disse...

"Pensar globalmente, planejar regionalmente e agir localmente", sem dúvida, esta é chave da conscientização ambiental.
Os problemas ambientais de sua comunidade são os mesmos de outras comunidades distantes. E os efeitos no meio ambiente são compartilhados por todos.
Luiz Ramos