quinta-feira, março 27, 2008

Melhoramentos Rua da Oficina do Fernando




Finalmente a rua da oficina do Fernando foi arranjada e alcatroada, é a rua que vai do Poço do Vale em frente à Carpintaria Murta à oficina. Os trabalhos foram efectuados pela Junta de Freguesia em parceria com a Câmara Municipal.


É pena que esta rua não seja ligada à Rua do Carvalhal, se isto acontecer melhorará em muito a circulação à volta do lugar perincipalmente quando há necessidade de desvios da artéria principal do Zambujal.

quinta-feira, março 20, 2008

Primavera

Chegou a Primavera
e com ela as raras flores do Horst de Cantanhede


As mini orquídeas




E porque também há pastores no Horst e porque gosto do "Guardador de Rebanhos" que escreveu poemas, escolhi dois para patilhar, são de Albero Caeiro


Quando Vier a Primavera

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma
Se eu soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo se eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Quando tornar a vir a Primavera

Quando tornar a vir a Primavera
Talvez já não me encontre vivo no mundo.
Gostava agora de poder julgar que a Primavera é gente
Para poder supor que ela choraria,
Vendo que perdera o seu único amigo.
Mas a Primavera nem sequer é uma coisa:
É uma maneira de dizer.
Nem mesmo as flores tornam, ou as folhas verdes.
Há novas flores, novas folhas verdes.
Há outros dias suaves.
Nada torna, nada se repete, porque tudo é real.
Alberto Caeiro

Carta CMC Fev 2007 Terrenos Monte Grande - Logadrão






















Zambujal, 12 de Fevereiro de 2007

Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Cantanhede

Venho mais uma vez por este meio comunicar a Vossa Exa. porque penso que é necessária uma intervenção nos terrenos que ladeiam a estrada Monte Grande – Logradão, numa extensão de cerca de 1500 metros e numa largura que nalguns locais é superior a 50 metros. Principalmente a porção que pertence á Freguesia de Cadima e que na foto (disponibilizada pelo SIG do nosso município no seu explorador geográfico em http://sig.cantanhedeonline.pt) é de uma extensão de cerca de 1100 metros, com início no canto NE do recinto desportivo da ACRZ até ao cruzamento da estrada Monte Grande – Logadrão com o caminho São Gião (depósito da água) – Piares, quase no limite da Freguesia de Cadima (linha azul). Como se vê estes terrenos dum lado e doutro da estrada a vermelho numa largura de cerca de 50 metros estão situados na Reserva Ecológica Nacional (área a tracejado verde). As manchas vermelhas assinalam zonas onde foram depositados inertes com alcatrão, vindos das obras de saneamento do Zambujal e Fornos.
Foto (sigmc_NETSIG2220396858) – do monte grande ao limite da freguesia de Cadima pela “Estrada Real”[i].
Senhor Presidente
Eis algumas das razões que me trazem à defesa destes terrenos, para fruição de todos:
- Na minha opinião são públicos

- Na sua maioria estão situados na Reserva Ecológica Nacional.

- Na minha opinião constituem um elemento cultural, pois:
Situam-se precisamente na divisão das bacias hidrográficas do Mondego a sul e Vouga a norte.
Os terrenos constituídos basicamente por margas calcárias (de São Gião) são ricos em fósseis do Jurássico.
Os afloramentos do período Jurássico com estas características, existentes não são abundantes no nosso concelho.
São biótopo duma fauna e flora particular.
O caminho é referenciado pelo Dr. Simões Marques como das mais antigas vias de comunicação da freguesia de Cadima. E o Dr. Correia Góis descreve o itinerário que a rainha Dona Maria II fez nesta região em 1852, relatando factos curiosos.


- Constituem um instrumento pedagógico, porque:
Pelas suas características podem ser utilizados pelas escolas para a sensibilização da defesa da memória da terra e defesa do ambiente, nas vertentes hídricas, biofísicas e paisagísticas[1].
Têm potencialidade para serem um pólo vivo, em campo aberto, do Museu da Pedra.
De acordo com parecer da Dr.ª Helena Henriques,[ii] são instrumento para o ensino em áreas das ciências da terra nomeadamente, estratigrafia e paleontologia e merecem ser classificados.
- Podem constituir um parque onde todos possam:
Desenvolver actividades lúdicas amigas do ambiente.
Usufruir dum ambiente saudável e contribuir para a sua preservação.
Perante uma cada vez maior pressão humana, melhorar as condições biofísicas para diminuir a tensão ambiental, factores importantes da nossa futura qualidade de vida.
Mas Senhor Presidente tudo isto corre perigo de destruição, senão vejamos:
As infra-estruturas da adutora que abastece de água o Zambujal e Fornos estão mal tratadas. Como a foto documenta
Esta parece ser uma caixa que deveria proteger válvulas da adutora de água para Zambujal e Fornos (situa-se Junto da nascente dos Rodelos). Outras estão em mau estado e á mercê de tudo. Em alguns pontos desta importante conduta o terreno que a cobre já foi intervencionado por máquinas agrícolas.



Os marcos que foram colocados pela CMC em tempos têm desaparecido como documentam as fotos.
Este marco perto da lagoa do Ladrão foi arrancado e colocado nesta posição junto da estrada outros marcos têm surgido como se pode ver nas fotos seguintes
Em primeiro plano o marco arrancado e ao fundo um marco feito de viga de cimento pré forçado. Este marco já não se encontra no local resta o cepo de cimento estilhaçado.
Outro marco


Também o lixo continua a ser colocado impunemente nesta zona da REN
Estes afloramentos já foram destruídos

Mas ainda podemos salvar
Fósseis e cascalho miudinho como diria Carlos de Oliveira em “finisterra” estão aqui a recordar-nos que a terra também tem memória.
Ainda estamos a tempo, assim haja vontade, de preservar estes e aforamentos
Durante milhões de anos a natureza escreveu aqui as memórias do que já fora talvez uma praia de águas límpidas e areias brancas, esta janela temporal de mais de 140 milhões de anos não pode ser comparada pela janela temporal de meia dúzia de anos pela qual pela qual olhamos os nossos interesses. Isto pode ser destruído em horas como já aconteceu aqui perto.




Senhor Presidente
Tenho falado com vários proprietários de terrenos junto da área em causa e todos estão dispostos a colaborar com o Município para a salvaguarda dos terrenos contribuindo para a sua delimitação, o mesmo se passa com a maioria da população.
Por isso penso que não será difícil ao Município a aplicação prática dos instrumentos que tem à sua disposição. Hoje que se fala tanto em custos, penso que aqui serão mínimos uma vez que o importante para já é somente delimitar a área.
Senhor Presidente esta é a minha opinião sobre estes terrenos em concreto, que merecem ser classificados como Imóvel de Interesse Municipal, como é proposto pela Doutora Helena Henriques.
Senhor Presidente
O Parecer que a Sr.ª Professora Doutora Maria Helena Paiva Henriques do Departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra me enviou (cópia no final deste documento), foi entregue em Março de 2005 ao executivo da Junta de Freguesia de Cadima na pessoa do seu Presidente Senhor José Alberto Pessoa para que fosse elaborada a proposta de classificação dos terrenos em causa à CMC.
Talvez devido ao facto de haverem terrenos que pertencem a outras freguesias justifiquem o tempo de preparação da proposta.

Com os melhores cumprimentos
Carlos Alberto Rebola Pereira



[1] Existem nascentes naturais e lagoas, plantas e animais interessantes no seu habitat natural e a paisagem bela atesta o sentido estético dos romanos aliado ao lado prático (água e pastagens = alimento) ao viverem nesta zona.
[i] Esta via de comunicação é a chamada Estrada Real devido à passagem da Rainha D. Maria II e seu séquito, em 25 de Maio de 1852, por este caminho vinda de Lemede com destino a Montemor-o-Velho.

domingo, março 09, 2008

O Sérgio deixou-nos inesperadamente



O jovem Sérgio Manuel Jorge da Silva, partiu (passou para o outro lado). Faleceu no dia 4 de Março, devido a acidente de viação (atropelamento) na Suiça, onde era emigrante.
O Sérgio, era um sócio e colaborador na ACRZ desde os primeiros momentos, tendo sido um grande dinamizador do pelouro do Futebol desporto que sempre praticou e lhe granjeou grandes amizades devido ao seu bom carácter (sempre pronto a ajudar os outros), o Sérgio era actualmente membro do Conselho Fiscal da Associação Cultural e Recreativa do Zambujal. Os Corpos Gerentes sócios e amigos da ACRZ associaram-se às muitas centenas de pessoas que acompanharam o Sérgio no seu funeral partilhando com os pais e familiares a dor desta grande perda, deixando-lhe as suas sentidas condolências.

Este poema de “Charles Pêguy” foi lido na missa de corpo presente, como se fosse declamado pelo próprio Sérgio, dizendo o seguinte:

“A morte não é nada,
Só passei para o outro lado,
Eu sou eu. Vós sois vós.
O que eu era para vós, continuo a ser.
Dai-me o nome que sempre me deste,
Falai-me como sempre o fizeste.
Não empregueis uma maneira diferente,
Não tomeis um ar triste.
Continuai a rir daquilo que nos fazia rir juntos,
Sorriam e pensem em mi m.
Que o meu nome seja pronunciado em casa
Como sempre foi,
Sem exagero de coisa alguma.
A vida significa tudo o que sempre foi.
O fio não está cortado.
Porque estarei fora do vosso pensamento?
Simplesmente porque não me vedes?
Não estou longe,
Só estou do outro lado do caminho.”

sábado, março 08, 2008

E-mail CMC sobre destruição de afloramentos

Destruição de afloramentos

Carlos Rebola - carlos.rebola@gmail.com 1 de maio de 2007 19:51
Para: gap - gap@cm-cantanhede.pt
Ex.mo Senhor
Presidente da Câmara Municipal de Cantanhede
No passado 22 de Abril (Dia Mundial da Terra) após o Workshop sobre "…contributo das Geociências para a Sociedade" a convite da Sr.ªProfessora Dr.ª Helena Henriques, fui com o Dr. Carlos Gregório ao local dos afloramentos do Jurássico médio na zona de São Gião Junto à"estrada Real" Freguesia de Cadima (40º 18´ 09´´ N 008º 37´ 15.14´´W) e constatámos o seguinte:-
Destruição recente de uma significativa área de afloramentos.
- Uma área que ainda tem valor.
Além desta destruição constatei que o entulho (mais de um metro cúbico) continua onde foi depositado.
Mais lixo com materiais perigosos continua a ser vazado e uma grande área de afloramentos assim como caminhos em terrenos públicos, continuam cobertos com muitos milhares de metros cúbicos de resíduos misturados com alcatrão ou seus derivados.
As infra-estruturas da conduta de água deabastecimento de Zambujal e Fornos continuam a degradar-se.
Fotos em anexo
Com os melhores cumprimentos
Carlos Rebola
































Porquê "Estrada Real"

Aqui está a história da passagem do séquito real pelo Monte Grande vindo de Lemede a caminho do Méco era rainha Dona Maria II, daí a "Estrada Real"

sexta-feira, março 07, 2008

Destruição afloramentos do Gião Zambujal

26/04/07
Olá Dr.ª Helena Henriques


Desculpe estar a ocupar o seu precioso tempo.Mas não resisto a pedir-lhe uma opinião sobre esta situação que as fotos documentam e que me envergonham. Será ainda possível, salvar, o pouco, que resta? Tanto mais que se encontram em terrenos públicos,apesar de todos os apelos que enderecei ao "Poder Local", cuja não resposta é desmobilizante, vou continuar por todos os meios tentar convencê-los da importância desta manifestação da "Mãe Terra" e é para isso, que, lhe peço o seu comentário, Professora Helena para mais uma vez tentar que ao menos se cumpra o que está estabelecido para a REN nesta zona dos afloramentos.




Um beijo e os meus agradecimentos


Carlos Rebola